Vencedores do Prêmio Artefacto SP-Arte Melhor Design na SP-Arte 2026.
Para a SP-Arte 2026, a PROSA apresenta uma coleção inédita que investiga a tensão e o equilíbrio entre dois universos formais aparentemente opostos: a precisão das formas geométricas e a liberdade dos gestos orgânicos, fluidos e não lineares. Ao mesmo tempo, o estúdio busca evidenciar, de forma clara e intencional, a técnica de execução da marcenaria tradicional em cada peça, valorizando o saber construtivo, os encaixes e os processos manuais como parte fundamental da linguagem do trabalho. O ponto de encontro entre esses extremos dá origem a um corpo de trabalho que valoriza tanto o controle técnico quanto o acaso, tanto o cálculo quanto a intuição.
A geometria aparece como estrutura, base e sustentação — cones, círculos, planos, encaixes da marcenaria tradicional e volumes sólidos organizam o espaço e garantem estabilidade às peças. Em contraste, as formas orgânicas se manifestam como gesto livre, quase instintivo, evocando a ideia de GARATUJA: um traço primordial, anterior à regra e à racionalização, que carrega uma dimensão inocente, primitiva e profundamente humana. Nesse contexto, a garatuja não é entendida como algo inacabado, mas como expressão genuína de pensamento e movimento, um desenho que nasce do corpo antes de se tornar linguagem.
Esse diálogo se materializa no aparador de tampo orgânico e bases esculpidas, onde linhas irregulares convivem com volumes precisos. A interação entre as madeiras Muirapiranga (vermelha) e Imbuia reforça visualmente essa conversa, uma madeira amazônica e a outra da mata atlântica, criando contrastes cromáticos e táteis que ampliam a leitura das formas.
O espelho de piso bipartido, apoiado sobre base cônica, explora a repetição e a simetria, ao mesmo tempo em que fragmenta o reflexo e propõe uma percepção dinâmica do objeto e do espaço, fragmentando a ideia de si em múltiplos.
A poltrona e o bar suspenso evidenciam o rigor construtivo da marcenaria tradicional por meio de encaixes aparentes, reforçando o compromisso do estúdio com o estudo do tradicional e com o desenvolvimento da compreensão das propriedades materiais da madeira.

A pesquisa sobre a inteligência dos materiais amplia ainda mais essa narrativa. As pranchas de madeira, moldadas pela ação do tempo, do sol e da chuva, definem a forma da arandela e da luminária de piso da coleção, criando um contraste entre solidez e forma orgânica, ao mesmo tempo em que proporcionam uma iluminação indireta e suave.
Já o tapete, desenvolvido a partir do conceito de garatuja e executado pela Decoralle, traduz o gesto espontâneo para o plano têxtil, assumindo o desenho não linear como elemento central e rompendo com a lógica ortogonal tradicional dos tapetes.
Apresentada na SP-Arte 2026, a nova coleção reafirma o interesse da PROSA por processos que conciliam técnica e poesia, tradição e experimentação. Ao colocar em diálogo formas geométricas, técnica tradicional e traços livres, o estúdio propõe uma reflexão sobre o fazer manual contemporâneo: um território onde o desenho nasce do gesto, a matéria responde ao tempo, e cada peça carrega a memória visível de sua construção.